Ventilação natural em residências.

A função essencial das habitações é proporcionar abrigo através de condições favoráveis de permanência e desenvolvimento das atividades cotidianas dos seres humanos (trabalho, lazer e repouso).

O espaço projetado deve se adaptar ao meio em que está inserido, aos usos e aos usuários da edificação, oferecendo conforto ambiental, segurança e salubridade.

É comum em muitos imóveis brasileiros problemas como: umidade, mofo, proliferação de ácaros, acúmulo de partículas de sujeira e insuficiência térmica. Derivados de construções sem planejamento que não tiram proveito do vento, um recurso natural e renovável, para garantir ambientes saudáveis.

Ao realizar a troca de ar, os ventos levam consigo microorganismos prejudiciais à saúde humana, odores indesejados e gases tóxicos, deixando o ambiente fresco e arejado, melhorando a qualidade do ar.

Outra vantagem de uma casa bem ventilada é a redução dos gastos energéticos com condicionamento de temperatura e umidade, já que a ventilação natural pode ser utilizada para o controle térmico, dispensando o uso de aparelhos de ar condicionado que consomem muita energia.

As construções que utilizam os recursos naturais para responder as variações climáticas locais fazem parte da “Arquitetura Bioclimática”, uma das vertentes da “Arquitetura Ecológica”.

Fatores que Influem na Ventilação Natural

A ventilação natural pode ser definida pela movimentação do ar no interior dos edifícios sem que haja a indução por sistemas mecânicos. Esta movimentação ocorre na presença de diferentes pressões de ar, seja por influência dos ventos ou por temperaturas distintas de densidades diferentes.

Contudo, para projetar espaços devidamente ventilados não basta apenas fazer o pé-direito alto, utilizar a ventilação cruzada ou saber que o ar quente sobe enquanto o ar frio desce, várias questões devem ser observadas antes dos traços iniciais de um projeto, relacionadas ao entorno e ao clima local.

Dentre as características físicas que influem na ventilação de uma edificação podemos citar:

● Ventos dominantes locais (frequência, direção e velocidade);
● Radiação solar, de acordo com cada ambiente;
● Umidade relativa do ar.

Para garantir o conforto térmico através da ventilação é necessário mensurar a taxa adequada do fluxo de ar, mantendo o equilíbrio entre a temperatura e a pressão dos ambientes. A ventilação natural pode causar desconforto e resfriamento indesejado, caso não planejada adequadamente.

O Brasil é um país onde a temperatura média é quente e úmida, durante o dia as variações climáticas são de baixa amplitude, permitindo a larga utilização da ventilação natural no controle térmico residencial.

Ventilação Cruzada

A ventilação cruzada ocorre quando existem no mínimo duas aberturas em lados opostos dos ambientes, permitindo a completa circulação do ar. O posicionamento das aberturas deve levar em conta a incidência dos ventos dominantes de cada região.

Ventilação por Diferença de Temperatura do Ar

É fato conhecido que o ar quente sobe, pois é mais leve, e o ar frio, mais pesado, desce. Sistemas de indução térmica podem ser elaborados a partir desta premissa. Entradas de ventilação próximas ao piso permitem a entrada de ar fresco, que empurra o ar quente para cima, onde deverão estar localizadas saídas para o ar quente, na parede ou no teto. Este é o princípio que regem as antecâmaras das saídas de emergência para evacuar a fumaça e permitir a renovação do ar.

Exemplo de Ventilação Induzida pela Temperatura na Arquitetura Brasileira

O arquiteto Lelé, um dos melhores arquitetos brasileiros, implantou, nos hospitais da rede Sarah Kubitschek, sistemas incríveis de ventilação onde o ar entra por galerias subterrâneas e passa pelas paredes dos quartos do hospital, ventilando os ambientes e, direcionado o ar quente contaminado pelas saídas superiores no telhado com formato de ondas.

Torres de Vento

Este sistema de ventilação é típico dos países árabes, trata-se de uma torre que permite a entrada do ar por um ponto, forçando o mesmo a se movimentar e sair pelo lado oposto, podendo ser utilizado para fazer a sucção do ar quente do interior das residências, ou para ventilar pátios internos, comuns na cultura árabe.

Resfriamento Evaporativo

Para refrescar os ambientes a ventilação natural pode ser associada aos espaços sombreados ou ainda a fontes de umidade, a evaporação que ocorre com a passagem do vento em locais úmidos e molhados resfria o ar. Esta técnica é chamada de resfriamento evaporativo, pois para evaporar a água consome a energia do vento em forma de calor, deixando-o mais frio. A aplicação do resfriamento evaporativo é ideal em locais de clima quente e seco.

Exemplo de Resfriamento Evaporativo na Arquitetura Brasileira

O arquiteto Oscar Niemayer utilizou esta técnica no Palácio do Planalto em Brasília para umedecer o ar que passa pelos espelhos d’água, adentra os espaços internos e sai por aberturas na cobertura.

Conforto Térmico – Legislação

As normas técnicas que estabelecem os critérios para o conforto ambiental na construção de edificações brasileiras entraram em vigor somente em 2005, quando foram publicadas as primeiras legislações sobre o conforto térmico e iluminação natural. A NBR 15.220-3/2005 dispõe sobre as taxas de renovação do ar nas construções.

Em 2010 foi lançada pela ABNT a Norma de Desempenho das Edificações, NBR 15.575, estabelecendo critérios de qualidade e durabilidade das construções habitacionais, como conforto ambiental e impacto ambiental.

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